{"id":4412,"date":"2020-05-31T01:13:00","date_gmt":"2020-05-31T04:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=4412"},"modified":"2020-05-30T17:13:58","modified_gmt":"2020-05-30T20:13:58","slug":"texto-inteligente-de-angela-rodrigues-nas-paginas-do-jornal-de-fato-leia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=4412","title":{"rendered":"texto inteligente de angela rodrigues nas p\u00e1ginas do jornal de fato..leia!!"},"content":{"rendered":"\n<p>A SAUDADE NOS SALVAR\u00c1!?&#8230;Adeus maio. At\u00e9 o pr\u00f3ximo giro do sol sobre a terra, quando, com f\u00e9 Deus, poderei receb\u00ea-lo com um sorriso nos l\u00e1bios, sem isolamento social, distanciamento e aus\u00eancias f\u00edsicas. Voc\u00ea vai levando a saudade de tudo que n\u00e3o podemos viver. Das coisas que deixamos de fazer e dos sonhos adiados. Adeus maio. Provavelmente n\u00e3o sentirei saudades voc\u00ea. A saudade j\u00e1 estava aqui e permanecem comigo. N\u00e3o sei quanto tempo nos separa do reencontro com os familiares e amigos. Do abra\u00e7o que tanto falta tem feito nestes dias de solit\u00e1rias esperas. Das conversas em torno da mesa. Do almo\u00e7o de domingo com a fam\u00edlia. S\u00e3o tempos incertos. Cheios de esperas. Vazios de \u201ccertezas\u201d. N\u00e3o sabemos como ser\u00e1 o amanh\u00e3. Quando tudo isso come\u00e7ou acreditei que ao final dessa travessia estar\u00edamos mais fortes, emp\u00e1ticos e humanos. Que o isolamento nos transformaria em pessoas melhores. Cidad\u00e3os solid\u00e1rios. Hoje, ap\u00e1tica e desanimada tenho impress\u00e3o de haver romantizado a crise. Meu otimismo pode ter desconsiderado o lado obscuro da humanidade. Quanto mais ou\u00e7o e leio sobre esse momento mais triste e desanimada vou ficando. Infelizmente o v\u00edrus que nos amea\u00e7a parece ser uma esp\u00e9cie de \u201cdepurador\u201d que transforma esses dias em um \u201ctempo de absoluta depura\u00e7\u00e3o\u201d. Fico estarrecida diante da \u201cignor\u00e2ncia\u201d de alguns que continuam indiferentes a gravidade da situa\u00e7\u00e3o e pregando a volta da \u201cnormalidade\u201d para salvar a economia. N\u00e3o consigo encontrar nenhum voc\u00e1bulo que descreva o que sinto diante desse quadro assustador. Pessoas colocando em risco suas vidas e de outros por pura teimosia. Gente que d\u00e1 as costas a ci\u00eancia para seguir suas \u201cconvic\u00e7\u00f5es pol\u00edticas\u201d. Cientistas que negam suas hist\u00f3rias para apoiar teorias sem nenhuma sustenta\u00e7\u00e3o. Enquanto uns lutam contra o v\u00edrus, outros vivem como se nada estivesse acontecendo. Dentro de mim grita uma pergunta que n\u00e3o sei responder \u2013 quanto temos de humanidade dentro de n\u00f3s? O quanto somos capazes de nos colocarmos no lugar do outro? Nunca esteve t\u00e3o claro que n\u00e3o d\u00e1 para pensar isoladamente, que o \u201ccada um por si e Deus por todos\u201d n\u00e3o serve para ningu\u00e9m. \u201cSomos como mour\u00f5es de uma cerca que s\u00f3 se mantem em p\u00e9 porque s\u00e3o sustentados uns pelos outros\u201d. O mundo n\u00e3o gira em torno de nosso umbigo. O coletivo \u00e9 que importa, \u00e9 o que sempre deveria ter importado. Nossas vidas dependem de outras vidas. Se n\u00e3o pensarmos no pr\u00f3ximo, nenhuma vida dar\u00e1 certo. Sem percebermos a din\u00e2mica da vida em sociedade, ningu\u00e9m conseguir\u00e1 estar a salvo ou se curar. Precisamos, urgentemente, de uma revolu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, n\u00e3o estou propondo uma luta armada, ao contr\u00e1rio, o que menos precisamos, hoje e desde sempre, \u00e9 de uma interven\u00e7\u00e3o b\u00e9lica. O que precisamos \u00e9 de uma revolu\u00e7\u00e3o das sensibilidades. Uma revolu\u00e7\u00e3o interior. Mudan\u00e7a de h\u00e1bitos e atitudes que nos libertem do \u00f3dio. Do ego\u00edsmo. Do preconceito. Da indiferen\u00e7a. Da soberba. Uma batalha contra tudo que nos paralisa e nos impede de ver o outro e nele percebermos nossa completude. Precisamos de uma revolu\u00e7\u00e3o que nos arrebate das mesmices que nos trouxeram at\u00e9 aqui. Que nos fizeram acreditar no sup\u00e9rfluo e esquecer o essencial. Creio que ainda n\u00e3o \u00e9 demasiado tarde para voltarmos nosso olhar as coisas importantes, aquelas pelas quais vale a pena lutar. Ainda podemos nos debru\u00e7armos sobre a complexa simplicidade que ressignifica as coisas a nossa volta. Ainda podemos extrair a beleza das coisas comuns e nos entregarmos, de forma sincera, a encantadora descoberta de um mundo onde a sensibilidade n\u00e3o ser\u00e1 encarada como fraqueza, mas como uma poderosa arma contra a destrui\u00e7\u00e3o da humanidade. Talvez por continuar acreditando que toda essa tristeza vai passar e nos ensinar alguma coisa, ainda guardo a esperan\u00e7a que essa carga de saudade, acumulada nesse per\u00edodo de isolamento, possa ser o princ\u00edpio gerador dessa revolu\u00e7\u00e3o. A muni\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para revolucionarmos nossas vidas. Quem sabe a saudade n\u00e3o nos mostrar\u00e1 o caminho das mudan\u00e7as?!&#8230; Essa saudade, essa fome de presen\u00e7a, pode nos ensinar o quanto a presen\u00e7a do outro \u00e9 fundamental para nossa vida e para constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade humanamente saud\u00e1vel. Tenho f\u00e9 que ao final dessa travessia teremos aprendido a valorizar o tempo e tudo que ele representa. Que tenhamos percebido que todo encontro, por mais r\u00e1pido e corriqueiro que seja, deve ser uma experi\u00eancia de afeto. Quero, apesar de tudo e de todos, acreditar que ainda encontraremos for\u00e7a para sorrir, abra\u00e7ar, contemplar as coisas simples e valorizar o que realmente importa. Quem sabe, as muitas perdas n\u00e3o nos ensinem a valorizar o que temos? Tenho esperan\u00e7a de que a dor do adeus n\u00e3o compartilhado nos ensine o valorizar aqueles que permaneceram conosco. Que a tristeza nos ensine que a alegria nasce na entrega verdadeira e honesta. A verdade \u00e9 que n\u00e3o estou certa se sairemos melhores ou piores, mas creio que nunca mais seremos os mesmos. \u201cNada do que foi ser\u00e1&#8230;\u201d. J\u00e1 somos outras pessoas. O que faremos com isso continua sendo uma grande inc\u00f3gnita. Li em algum lugar que \u201ca saudade \u00e9 o que faz transbordar a nossa melhor vers\u00e3o\u201d. Logo chegar\u00e1 a hora de verificarmos a veracidade dessa assertiva. Estamos em fase de experi\u00eancia. Continuamos no laborat\u00f3rio expostos, diuturnamente, a uma exagerada dose de saudade. De tudo. De muitos. At\u00e9 de n\u00f3s. O resultado dessa exposi\u00e7\u00e3o s\u00f3 ser\u00e1 vis\u00edvel quando voltarmos ao conv\u00edvio com o outro. Ser\u00e1 que a saudade vai transformar o mundo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A SAUDADE NOS SALVAR\u00c1!?&#8230;Adeus maio. At\u00e9 o pr\u00f3ximo giro do sol sobre a terra, quando, com f\u00e9 Deus, poderei receb\u00ea-lo com um sorriso nos l\u00e1bios, sem isolamento social, distanciamento e aus\u00eancias f\u00edsicas. Voc\u00ea vai levando a saudade de tudo que n\u00e3o podemos viver. Das coisas que deixamos de fazer e dos sonhos adiados. Adeus maio. <a href=\"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=4412\">&#8230;<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-4412","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/100733370_2996396570442788_1517554890778345472_o.jpg?fit=639%2C983&ssl=1","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4412","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4412"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4412\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4416,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4412\/revisions\/4416"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4414"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4412"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4412"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4412"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}