{"id":21115,"date":"2023-05-21T01:57:00","date_gmt":"2023-05-21T04:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=21115"},"modified":"2023-05-19T21:05:00","modified_gmt":"2023-05-20T00:05:00","slug":"leia-e-show","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=21115","title":{"rendered":"LEIA !!!\u00c9 SHOW !!"},"content":{"rendered":"\n<p>A MESMA PRA\u00c7A, O MESMO BANCO, OUTRO OLHAR&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c2ngela Rodrigues Gurgel<\/p>\n\n\n\n<p>Autora de Ensaio Po\u00e9tico e Confiss\u00f5es Cr\u00f4nicas, idealizadora da confraria Caf\u00e9 &amp; Poesia.<\/p>\n\n\n\n<p>angelargurgel@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ficava bem no meio de meu caminho. Indiferente n\u00e3o lhe dedicava um olhar mais demorado. Um significado maior. Via-o, mas n\u00e3o percebia seu valor. Um dia, n\u00e3o sei por que, olhei-o demoradamente e senti vontade de parar e ficar ali. Talvez tenha sido vencida pela sensibilidade que, inescapavelmente, nos alcan\u00e7a. Afinal, jamais conseguir\u00edamos \u201ccompreender\u201d o mundo ignorando nossos sentidos; ent\u00e3o, o que n\u00e3o \u00e9 notado, sentido e percebido, simplesmente n\u00e3o \u00e9. E aquele banco \u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabemos que as cidades sofreram uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que modificaram as rela\u00e7\u00f5es espa\u00e7o-temporais entre os sujeitos. Mas, indiferente a essas transforma\u00e7\u00f5es, havia um banco no meio do caminho. No meio do caminho havia um banco que me olhava e n\u00e3o parecia fatigado ou estranho em seu lugar, apesar de solit\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti vontade de sentar-me e olhar a rua, fren\u00e9tica, tentando acelerar os ponteiros do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentada naquele banco permiti-me olhar a cidade com calma. Vi a cortina do tempo rasgar-se diante de meus olhos e, de repente, n\u00e3o tinha nenhuma pressa. Deixei-me abra\u00e7ar pelo vento e banhar-me pelo sol que, naquele dia, estava mais ameno, coisa muito rara em minha cidade. Os pensamentos vagaram livremente. O frenesi, causado pelo vai e vem de pessoas e autom\u00f3veis, n\u00e3o me alcan\u00e7ava. Estava em paz. Ignorei os olhares estranhos direcionados a mim. Sim, as pessoas estranham quem, nos dias de hoje, senta-se nos bancos da pra\u00e7a. S\u00e3o tempos estranhos, cheios de perigosas armadilhas.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem vai se importar com isso em plena manh\u00e3 de abril, sentada em um banco t\u00e3o acolhedor? Talvez por ter resistido tanto ao convite, o momento tenha ganhado mais significa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pensei nos perigos de uma abordagem inesperada e mal-intencionada. Nada parecia ser capaz de roubar aquele momento de imers\u00e3o e tranquilidade. Tudo que eu queria era enxergar mais distante, ver al\u00e9m do \u00f3bvio. E n\u00e3o seria exagero dizer que, ao mesmo tempo que via um cotidiano cheio de imagens aceleradas e sem perman\u00eancia, por outro lado sentia um prazer enorme em olhar os pr\u00e9dios \u00e0 minha volta e n\u00e3o apenas constatar o que se via, mas \u201cexperienciar\u201d sua est\u00e9tica, suas formas, sua import\u00e2ncia para vida da prov\u00edncia.<\/p>\n\n\n\n<p>De olhos fechados vi aquela rua, cheia de carros velozes, como os muitos caminhos que percorremos ao longo da vida, sempre aligeirados pela pressa cotidiana que nos rouba o tempo de olhar ao redor e perceber as belezas mi\u00fadas. Temos cometido o pecado da invers\u00e3o. Dedicamos nosso tempo \u00e0s coisas \u201curgentes\u201d e n\u00e3o percebemos que as urg\u00eancias est\u00e3o roubando a beleza de nossos \u201cagoras\u201d. Enchemos nossas agendas de compromissos inadi\u00e1veis e nos esquecemos de viver o improrrog\u00e1vel e inadi\u00e1vel momento. Estamos t\u00e3o automatizados que nem percebemos o quanto as coisas que aprisionam a poesia, roubam a leveza, o afeto e a liberdade nos cansam e roubam o brilho de nosso olhar. A sobrecarga das coisas que nos \u201cobrigamos\u201d a ignorar v\u00e3o somando-se a outras e, quando menos esperamos, estamos vazios de simplicidade, de poesia, de vida, de n\u00f3s mesmos. Curvados \u00e0s pressas, n\u00e3o nos sentamos para viver a indecifr\u00e1vel necessidade do \u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ali, no meio do nada, vi-me pensando em tudo e percebi que tinha muita pressa que aquele tempo n\u00e3o passasse. Que os ponteiros desacelerassem, e eu pudesse olhar com mais cuidado o percurso, selecionando os caminhos e cuidando com afeto de meus passos&#8230; Afinal, o lugar que mais almejo chegar \u00e9 um encontro comigo mesma, e essa viagem n\u00e3o pode ser feita com pressa. Preciso olhar, cuidadosamente, as paisagens, os arredores e o outro, pois somos todos viajantes e, tamb\u00e9m, caminhos por onde outros viajam.<\/p>\n\n\n\n<p>Demorei-me ali, com olhos garimpeiros, sem nenhuma urg\u00eancia, decidida a pousar o olhar, demoradamente, nas coisas que me d\u00e3o prazer e me motivam a seguir em frente, apesar de tudo que ficou para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti, de repente, uma pregui\u00e7a enorme de sofrer cansa\u00e7o do tanto de dor que j\u00e1 carreguei, de tanta saudade das coisas que n\u00e3o podem ser levadas na bagagem. Tudo que eu queria, naquele momento, cabia dentro de mim e n\u00e3o me causava nenhum cansa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem nenhuma pressa levantei-me e caminhei em dire\u00e7\u00e3o ao meu destino&#8230; Naquele momento tinha urg\u00eancia de livrar-me das pressas desnecess\u00e1rias. Das ligeirezas que precipitam a dura\u00e7\u00e3o das horas e roubam nosso tempo, mas n\u00e3o conseguem devolver deixamos de ver e viver.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A MESMA PRA\u00c7A, O MESMO BANCO, OUTRO OLHAR&#8230; \u00c2ngela Rodrigues Gurgel Autora de Ensaio Po\u00e9tico e Confiss\u00f5es Cr\u00f4nicas, idealizadora da confraria Caf\u00e9 &amp; Poesia. angelargurgel@gmail.com Ele ficava bem no meio de meu caminho. Indiferente n\u00e3o lhe dedicava um olhar mais demorado. Um significado maior. Via-o, mas n\u00e3o percebia seu valor. 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