{"id":17236,"date":"2022-07-11T00:33:00","date_gmt":"2022-07-11T03:33:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=17236"},"modified":"2022-07-07T16:49:20","modified_gmt":"2022-07-07T19:49:20","slug":"parabola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wandilsonramalho.com.br\/blog\/?p=17236","title":{"rendered":"PAR\u00c1BOLA .."},"content":{"rendered":"\n<p>Henry Sobel, por ocasi\u00e3o da morte de M\u00e1rio Covas contou a seguinte par\u00e1bola: Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espet\u00e1culo de beleza rara. O barco, impulsionado pela for\u00e7a dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o demora muito e s\u00f3 podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o c\u00e9u se encontram.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem observa o veleiro sumir na linha do horizonte, certamente exclamar\u00e1: &#8220;j\u00e1 se foi&#8221;. Ter\u00e1 sumido? Evaporado? N\u00e3o, certamente.<br>Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava pr\u00f3ximo de n\u00f3s. Continua t\u00e3o capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas.<br>O veleiro n\u00e3o evaporou, apenas n\u00e3o o podemos mais ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exato instante em que algu\u00e9m diz: &#8220;j\u00e1 se foi&#8221;, haver\u00e1 outras vozes, mais al\u00e9m, a afirmar:<br>&#8220;l\u00e1 vem o veleiro&#8221;!!!<\/p>\n\n\n\n<p>Assim \u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o veleiro parte, levando a preciosa carga de um amor que nos foi caro, e o vemos sumir na linha que separa o vis\u00edvel do invis\u00edvel dizemos:<br>&#8220;j\u00e1 se foi&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ter\u00e1 sumido? Evaporado? N\u00e3o, certamente. Apenas o perdemos de vista.<\/p>\n\n\n\n<p>O ser que amamos continua o mesmo, suas conquistas persistem dentro do mist\u00e9rio divino. Nada se perde, a n\u00e3o ser o corpo f\u00edsico de que n\u00e3o mais necessita.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 assim que, no mesmo instante em que dizemos: &#8220;j\u00e1 se foi&#8221;, no al\u00e9m, outro algu\u00e9m dir\u00e1: &#8220;j\u00e1 est\u00e1 chegando&#8221;. Chegou ao destino levando consigo as aquisi\u00e7\u00f5es feitas durante a vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vida, cada um leva sua carga de v\u00edcios e virtudes, de afetos e desafetos, at\u00e9 que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecess\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A vida \u00e9 feita de partidas e chegadas. De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros \u00e9 a chegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, um dia, todos n\u00f3s partimos como seres imortais que somos todos n\u00f3s ao encontro daquele que nos criou.<\/p>\n\n\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Henry Sobel, por ocasi\u00e3o da morte de M\u00e1rio Covas contou a seguinte par\u00e1bola: Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espet\u00e1culo de beleza rara. 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